Dia da Não Violência e da Paz

Quando falamos em não violência e paz, é comum pensarmos apenas em atos explícitos de agressão, mas a violência não se manifesta somente no gesto extremo ou no episódio isolado, ela também se organiza de forma estrutural, atravessando desigualdades sociais, relações de poder, racismos, machismos, exclusões e precarizações que fazem parte do modo como a sociedade se constrói e se mantém. Essas violências sociais não ficam do lado de fora quando atravessamos a porta de uma instituição, elas tendem a ser reproduzidas, muitas vezes de forma silenciosa, dentro das organizações, nos modos de gestão, nas hierarquias rígidas, na naturalização do medo, no silenciamento de denúncias e na dificuldade de reconhecer assimetrias.

Nesse sentido, pensar paz dentro das instituições não significa negar conflitos ou buscar uma harmonia artificial, mas assumir a responsabilidade de não reproduzir, no cotidiano do trabalho, as mesmas violências que estruturam a sociedade. Ambientes que ignoram desigualdades, deslegitimam relatos, dificultam a escuta ou tratam denúncias como ameaça e não como sinal de alerta acabam, ainda que de forma indireta, sustentando dinâmicas violentas que adoecem pessoas e fragilizam vínculos.

Por isso, para nós, falar em não violência passa necessariamente pela construção de estruturas institucionais mais responsáveis, entre elas a existência de canais de denúncia claros, acessíveis e confiáveis, capazes de acolher relatos sem retaliação e de reconhecer que situações de abuso, assédio e discriminação não são problemas individuais, mas expressões de um contexto que precisa ser revisto. Canais de denúncia não são instrumentos burocráticos ou formais, são dispositivos fundamentais de cuidado, proteção e compromisso ético.

Valorizar a não violência e a paz é assumir que nenhuma instituição é neutra, que todas operam dentro de um tecido social marcado por desigualdades, e que é possível, e necessário, interromper a reprodução dessas violências a partir de escolhas conscientes, políticas internas consistentes e práticas que sustentem segurança, escuta e responsabilização. É esse compromisso que orienta o nosso trabalho e a forma como entendemos o cuidado dentro das organizações.


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