Limite não é falta de comprometimento
Percebo, no meu trabalho e na minha própria trajetória, o quanto ainda fomos ensinadas a confundir comprometimento com resistência infinita. Durante muito tempo, a imagem do “bom profissional” foi construída em torno de quem aguenta tudo: jornadas longas, disponibilidade constante, silêncio diante do desconforto. E eu sei como é difícil questionar isso sem sentir culpa ou medo de parecer fraca, desinteressada ou pouco profissional.
Honestidade emocional também é estratégia de liderança.
Durante muito tempo, o imaginário corporativo associou liderança a controle, previsibilidade e uma espécie de blindagem emocional, como se demonstrar dúvidas, limites ou ambivalências colocasse em risco a autoridade e a capacidade de decisão. Na prática cotidiana das organizações, no entanto, o que se observa são lideranças sobrecarregadas, equipes operando no limite e um esforço constante para sustentar níveis de performance que desconsideram a complexidade emocional do trabalho contemporâneo, o que ajuda a explicar, por exemplo, a queda global de engajamento apontada em relatórios recentes sobre o mundo do trabalho (Gallup, State of the Global Workplace).
Medo de falhar: o preço de nunca se permitir errar
Será que só você tem medo de falhar?
Não estou falando do medo simples de errar ou de tentar algo novo e não funcionar, mas daquele medo mais profundo e silencioso de se afastar da personagem construída ao longo do tempo: a imagem de quem dá conta, resolve, sustenta e não vacila, mesmo quando tudo já está pesado demais.
Gestão do tempo não é fazer mais. É escolher melhor
Em muitos ambientes de trabalho, o tempo é tratado como algo que precisa ser dominado, comprimido e explorado ao máximo. A agenda vira um território de disputa, e a sensação constante é a de que, se ainda há cansaço, então falta organização. Mas essa lógica ignora algo fundamental: o tempo de trabalho não existe separado da saúde mental de quem trabalha.
Sustentar tudo também é uma forma de adoecer em silêncio
Eu sei como é a sensação de precisar sustentar tudo.
Sustentar o trabalho, as decisões, as pessoas e os resultados, ao mesmo tempo em que lida com expectativas externas, cobranças internas, tentando manter a imagem de quem é forte, disponível e competente o tempo todo, mesmo quando o corpo começa a pedir pausas cada vez mais frequentes e a mente já não consegue acompanhar o ritmo (insano) que foi imposto.
Quebra narcísica: quando aceitar limites dói, mas liberta
Eu sei que você tem muita coisa para fazer, e quando dá conta de tudo, mesmo exausta, mesmo passando do próprio limite, aparece um prazerzinho silencioso lá no fundo, quase como um chefe interno que te reconhece, te dá um tapinha nas costas e sussurra que você é boa, competente, diferente. O problema é que esse mesmo chefe também pode ser cruel quando alguma demanda escapa, quando algo atrasa, quando você falha em sustentar tudo, afinal, você foi programada para dar conta de tudo, para não deixar cair, para não precisar de ninguém.
Sobrecarga não pede só descanso, pede elaboração.
Se eu te pedir para dizer o que mais te demanda energia entre as suas tarefas, você seria capaz de identificar? E conseguiria dizer o porquê?
Nem sempre o que mais nos desgasta é o que leva mais tempo. Existe muito mais envolvido do que horas, complexidade ou esforço técnico. Reconhecer isso é fundamental, porque é a partir dessa elaboração que se tornam possíveis movimentos reais para tornar a rotina mais leve.
Dia da Não Violência e da Paz
Quando falamos em não violência e paz, é comum pensarmos apenas em atos explícitos de agressão, mas a violência não se manifesta somente no gesto extremo ou no episódio isolado, ela também se organiza de forma estrutural, atravessando desigualdades sociais, relações de poder, racismos, machismos, exclusões e precarizações que fazem parte do modo como a sociedade se constrói e se mantém. Essas violências sociais não ficam do lado de fora quando atravessamos a porta de uma instituição, elas tendem a ser reproduzidas, muitas vezes de forma silenciosa, dentro das organizações, nos modos de gestão, nas hierarquias rígidas, na naturalização do medo, no silenciamento de denúncias e na dificuldade de reconhecer assimetrias.
Você não precisa se esgotar para ser reconhecida. Seu valor não está no quanto você aguenta.
Talvez, em algum lugar do caminho, você tenha aprendido que ser forte é sinônimo de suportar tudo.
Talvez tenha internalizado que as pessoas que “vencem” são aquelas que seguem, mesmo exaustas, mesmo quando o corpo pede pausa, mesmo quando a mente implora por um segundo de silêncio.
E, aos poucos, aquilo que deveria ser apenas um momento turbulento virou uma forma de existir: estar sempre disponível, sempre resolvendo, sempre dando conta, mesmo quando isso custa caro demais (Sua saúde).
Nem sempre é ansiedade, mas pode vir a ser.
Quando o cansaço não é escutado, ele não desaparece, se transforma. Podemos até escolher ignorar, mas ele encontra um jeito de lembrar que está ali. A ansiedade não chega de repente, ela se constrói aos poucos, na repetição de dias vividos em alerta, cobrança e exaustão.
Talvez você não esteja “ruim no planejamento”. Talvez você só esteja sobrecarregada.
É possível que, nos últimos tempos, você tenha se visto presa naquele ciclo em que as tarefas se acumulam de um lado, as demandas inesperadas surgem de outro, e, mesmo tentando se organizar com todo o cuidado do mundo, a sensação que fica no final do dia é a de estar constantemente correndo atrás de algo que nunca chega a alcançar. É como se, apesar de todo esforço, você estivesse sempre devendo: devendo mais foco, mais energia, mais presença, mais produtividade … quando, na verdade, já está oferecendo tudo o que consegue e mais um pouco. Às vezes o mínimo é seu máximo, e você vai precisar se exigir menos se quiser cuidar da sua saúde mental.
Você não lidera só com técnica. Você lidera com a sua história (inclusive as partes que ninguém conhece).
A liderança nunca é apenas técnica, também envolve sustentar o desconforto de perceber que certas reações não vêm apenas da equipe ou da situação atual, mas de algo que é antigo, repetido e pouco consciente. Isso não é uma falha pessoal, é parte da condição humana.
Ano novo, e agora? Uma conversa sincera sobre metas, autocuidado e próximos passos
Existe algo curioso sobre o início de um novo ano: mesmo que a gente saiba que a virada é só uma troca de data, ainda assim sentimos aquele chamado silencioso para reorganizar a vida. É como se abrisse uma janela interna onde conseguimos ver, com mais clareza, o que queremos manter… e o que já não faz mais sentido carregar.
Mas antes de sair planejando metas novas (e longas listas que mais geram culpa do que movimento) te faço um convite: olhar para o ano que passou com gentileza.
Redes sociais e o universo das aparências.
Nos últimos anos, as redes sociais se tornaram um grande palco onde cada pessoa compartilha pequenos recortes do que vive: fotos de viagens, conquistas profissionais, momentos de lazer e mais uma série de registros de fatos incríveis de sua vida ‘feliz’ (será?).
Mesmo sabendo que se trata de registros filtrados e editados para estarem ali, ainda assim é comum sentirmos algum tipo de desconforto interno ao nos depararmos com tudo isso, como se estivéssemos sempre a um passo (ou mais) atrás em comparação aos outros.
As horas que faltam: jornadas, cansaço e o mundo do trabalho
As discussões recentes sobre folgas, jornadas e condições de trabalho ganharam força quando se propôs o fim da escala 6x1 e, embora o debate tenha perdido visibilidade, ele permanece vivo na experiência cotidiana das equipes que sustentam o funcionamento das organizações. A pesquisa do Datafolha indicando que 64% da população apoia mudanças nesse modelo revela mais do que opinião; mostra um esgotamento social acumulado, quase uma denúncia coletiva de que a exaustão deixou de ser exceção e se transformou na regra silenciosa que orienta o ritmo de muitos setores.
Fome ou sede? O que seu corpo tenta dizer enquanto você segue no automático
Fome ou sede? O que seu corpo tenta dizer enquanto você segue no automático.
Um exemplo simples: a confusão entre fome e sede.
A mesma região do cérebro que regula o apetite também regula a sede. Ou seja, quando estamos há muitas horas sem beber água, o corpo pode emitir sinais parecidos com fome: aquela queda de energia, leve dor de cabeça, distração, vontade de “beliscar” algo rápido. E o desafio se intensifica quando a rotina acontece no modo automático, com pausas improvisadas e refeições negociadas com o relógio. Temos a impressão de que a fome chega “do nada”, mas, na verdade, só não foi percebida desde o ínicio.
Corpo não é pauta.
Nós, mulheres, crescemos aprendendo (na pele) que nossos corpos foram feitos para serem observados, avaliados e classificados. É como se existisse um foco permanente apontado para cada detalhe do tamanho, forma, peso ou aparência, mesmo quando nada é dito; até porque, desde muito cedo, aprendemos também a olhar para nós mesmas com essa lupa crítica e implacável.
A herança da culpa e a coragem de descansar
Há uma sensação que atravessa muitas pessoas quando finalmente chega o momento de parar, uma espécie de inquietação que confunde pausa com fraqueza e repouso com abandono, como se o corpo só pudesse ceder depois de cumprir todas as tarefas e o tempo livre fosse um território que precisa ser conquistado e, de certo modo, justificado. Essa sensação não nasce do acaso, ela é herdeira de uma longa história que molda a maneira como entendemos o trabalho, o valor e o direito de simplesmente existir sem função imediata.
Quando o cansaço pede açúcar: o que o corpo tenta comunicar?
Quando o cérebro está cansado, ele busca energia rápida, por isso a vontade de doce se torna tão presente. O açúcar é uma fonte imediata de glicose, fazendo com que se torne o “atalho” perfeito para aumentar a disposição, infelizmente de forma momentânea.
Isso acontece mesmo quando você é uma pessoa disciplinada, pois o processo é puramente fisiológico: fadiga mental reduz a capacidade de decisão e aumenta a busca por recompensas rápidas.
A boa notícia é que essa fixação por doces e energia rápida pode melhorar através do ajustes na rotina: sono, pausas, alimentação, respiração e atividade física.
Cuidar de si também é entender o que o corpo tenta comunicar.
E você? também acaba exagerando no doce quando está cansada?
O mito da otimização do tempo: o preço de fazer tudo ao mesmo tempo
Nem sempre o problema está na falta de foco — às vezes, está no tamanho da meta.
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Planejar objetivos muito grandes sem considerar tempo, energia e contexto pode gerar sobrecarga, frustração e sensação de inadequação.
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Cuidar de si também é ajustar expectativas: colocar pequenas metas que caibam na rotina, reconhecer o que já foi feito e entender que o progresso não precisa ser constante — apenas possível.
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✨ O equilíbrio não vem da produtividade, mas da gentileza com o próprio ritmo.
Confira as ferramentas práticas para ajustar metas e cuidar da rotina com mais leveza.

