Nem sempre é ansiedade, mas pode vir a ser.
Você acorda cansada.
Não aquele cansaço que impede o dia de começar, mas o suficiente pra tudo parecer pesado antes mesmo de sair da cama.
A primeira coisa que faz é pegar o celular, sem nem saber direito o porquê. Enquanto desperta, acompanha a vida organizada, produtiva e (aparentemente) perfeita de outras pessoas: café bonito, treino cedo, sorrisos, uma produtividade e organização invejáveis. Como elas conseguem?
Você observa, compara e se cobra antes mesmo de sair da cama. Fecha o aplicativo se sentindo atrasada e desmotivada, sem conseguir identificar exatamente de onde isso veio.
Levanta.
O corpo dói em lugares que você nem lembra de ter exigido tanto. A cabeça começa a doer ainda pela manhã; a mente dispara em listas mentais intermináveis: o que precisa ser feito hoje, o que ficou pendente ontem, o que não pode ser esquecido de jeito nenhum. Tudo acontece ao mesmo tempo, e acompanhar parece cada vez mais difícil.
Ao longo do dia, percebe pequenas falhas: esquece palavras simples no meio de uma frase, perde o fio do pensamento, volta para conferir se realmente enviou aquela mensagem ou cumpriu aquela tarefa básica. Você estranha, mas logo se convence: “é só cansaço”.
E, de fato, muitas vezes é.
São sinais de um corpo sobrecarregado e super exigido, funcionando além do que deveria há tempo demais.
O problema é que vamos aprendendo a normalizar o que não deveria ser rotina. A dor de cabeça constante passa a fazer parte do dia, a autocobrança excessiva é tratada como virtude e a comparação vira parâmetro.
O cansaço recebe o nome de falha pessoal, como se a necessidade de descansar fosse fraqueza.
Você não para.
Porque sente que não pode parar.
Porque parar parece impossível.
Segue ignorando os sinais, empurrando para depois o cuidado com o corpo e com a mente.
Quando o cansaço não é escutado, ele não desaparece, se transforma. Podemos até escolher ignorar, mas ele encontra um jeito de lembrar que está ali. A ansiedade não chega de repente, ela se constrói aos poucos, na repetição de dias vividos em alerta, cobrança e exaustão.
Cuidar do cansaço é cuidar da saúde mental antes que o sofrimento precise gritar.
É reconhecer limites antes que o corpo imponha uma pausa forçada.
É entender que atenção aos sinais não é exagero, é prevenção e cuidado.
Talvez não seja ansiedade.
Mas pode vir a ser se você continuar se tratando como se desse conta de tudo, o tempo todo. (A gente não dá, e nem precisa.)
Na Síncrona, acompanhamos mulheres que percebem que algo precisa mudar antes de se tornar algo mais crítico. Acreditamos que saúde mental se constrói na escuta diária, no cuidado possível e na recusa em normalizar o que não nos faz bem.
Você não precisa esperar adoecer para se cuidar 💜

